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Chapecó - SC, Boa tarde - segunda, 06 de setembro de 2010 - Horas:16:05:10

Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno

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Passados sessenta e quatro anos da Segunda Grande Guerra e do final forçado do nazismo, o tema ainda gera muita polêmica no mundo inteiro, seja pelas quase cinquenta milhões de mortes que causou como resultado direto da guerra, ou pelas mortes que causou com a “limpeza” étnica, onde vitimou quase dois milhões de judeus.
Dois povos vivenciam estas lembranças de forma muito particular: os judeus e os alemães. Os judeus, por terem sido as maiores vítimas do regime nazista, ainda trazem vivas as lembranças do holocausto. Os alemães, por sua vez, por serem herdeiros do terror, carregam até hoje este estigma.

      Talvez, como forma de catarse e para minimizar o profundo sentimento de culpa que o povo alemão carrega, tanto a história quanto o cinema, costumam atribuir toda a culpa do nazismo e do holocausto a Adolf Hitler e a meia dúzia de oficiais. Porém, o Nacional Socialismo, ou nazismo, é o resultado de um momento histórico. Não caiu do céu e muito menos subiu do inferno. Como um movimento histórico e social é correto dizer que, para chegar ao poder, o nazismo teve o apoio do povo alemão. No entanto, é temeroso afirmar que o apoio era uma unanimidade.

     É tão injusto dizer que todo alemão era a favor do genocídio promovido pelo nazismo quanto é um equívoco dizer que toda a culpa é somente de Hitler. A Alemanha vivia um regime de exceção mesmo antes da guerra. Além dos milhares de judeus, o nazismo vitimou comunistas alemães e outros opositores do regime.

     Pois este embate pode ser conferido em dois filmes que tratam deste tema e mostram justamente essa inversão de apoio ao regime nazista. Os filmes “O Leitor” e “Operação Valquíria”.

     O primeiro tem como pano de fundo a história de amor entre Michael, um garoto de 15 anos e uma mulher mais velha. O romance acontece na cidade alemã de Neustadt, em 1958. De repente a mulher some e somente oito anos mais tarde Michael a reencontra, agora sentada no banco dos réus de um julgamento contra crimes nazistas. Ele descobre que durante a guerra ela fazia parte da elite nazista e era guarda em um campo de concentração onde, junto com outras cinco acusadas, escolhia as mulheres que seriam mortas semanalmente.

     “O Leitor se desdobra sobre as duas facetas do estado de culpa em que a Alemanha se lançou no pós-guerra: a culpa (ou ausência dela, no caso de Hanna) dos que foram responsáveis pelas atrocidades do nazismo ou preferiram ignorá-las; e a culpa, paradoxalmente mais sincera e tingida de vergonha, dos que se misturaram ao horror sem nem o saber (como Michael).”

     Em “O leitor” vemos no banco dos réus, o cidadão médio alemão que optou por apoiar diretamente o nazismo e, mais que apoiar, participar diretamente de suas atrocidades.

     Já  o segundo filme, “Operação Valquíria”, mostra justamente o contrário. Homens plantados diretamente no centro do poder opondo-se frontalmente ao regime. Baseado em fatos históricos reais, o filme mostra o planejamento e a execução do plano – homônimo ao filme – que pretendia matar Adolf Hitler e depor o regime nazista.

     O conde Von Stauffenberg, um patriota alemão conservador que a princípio simpatizava com os aspectos nacionalistas e militaristas do regime nazista, mas que desde cedo começou a questionar não só o genocídio, como também a forma, em sua opinião "inadequada", do comando militar alemão, é um dos principais personagens desta conspiração.

     Porém, o golpe culmina no fracassado atentado contra Hitler em 20 de julho de 1944, e desencadeia nos meses seguintes a represália onde mais de quatro mil pessoas, membros e simpatizantes da resistência, foram executadas.


     
    
 

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